
Os lírios
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Primavera, s/d - Adelson do Prado (Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 72 x 72 cm |
Henriqueta Lisboa
Certa madrugada fria
irei de cabelos soltos
ver como crescem os lírios.
Quero saber como crescem
simples e belos — perfeitos! –
ao abandono dos campos.
Antes que o sol apareça,
neblina rompe neblina
com vestes brancas, irei.
Irei no maior sigilo
para que ninguém perceba
contendo a respiração.
Sobre a terra muito fria
dobrando meus frios joelhos
farei perguntas à terra.
Depois de ouvir-lhe o segredo
deitada por entre lírios
adormecerei tranquila.
VAI-SE A LASCIVA MÃO
VASCO GRAÇA MOURA
vai-se a lasciva mão devagarinho
no biquinho do peito modelando
como nuns versos conhecidos quando
uma mulher a meio do caminho
era de vento e nuvens, sombras, vinho,
e sonoras risadas como um bando.
os dedos lestos vão desenredando
roupa,cabelos, fitas, desalinho.
a noite desce e a nudez define-a
por contrastes de luz e de negrume
ponto por ponto, alínea por alínea.
memória e amor e música e ciúme
transformados nos cachos da glicínia,
macerando no verão sombra e perfume.
Tão doce quanto secreta
tão secreta
e tão vazia
Tem no peito um leopardo
e alma de malvasia
Tão duvidosa e perene
tão ardente que despia
Do coração a pantera
que no corpo lhe crescia
Tão macia quando era
A rosa
é formosa:
bem sei.
Porque lhe chamam – flor
d´amor,
não sei.
A flor,
bem de amor
é o lírio;
tem mel no aroma – dor
na cor
o lírio.
Se o cheiro
é fagueiro
na rosa,
se é de beleza – mor
primor
a rosa.
No lírio
o martírio
que é meu
pintado vejo: - cor
e ardor
é o meu.
A rosa
é formosa,
bem sei...
E será de outros flor
d´amor...
não sei...
TÃO DOCE
MARIA TERESA HORTA
Tão doce quanto secreta
tão secreta
e tão vazia
Tem no peito um leopardo
e alma de malvasia
Tão duvidosa e perene
tão ardente que despia
Do coração a pantera
que no corpo lhe crescia
Tão macia quando era
se era meiga
e sedenta
Veneno de beladonadoce de cereja preta
e sedenta
Veneno de beladonadoce de cereja preta
ROSA E LÍRIO
ALMEIDA GARRETT
A rosa
é formosa:
bem sei.
Porque lhe chamam – flor
d´amor,
não sei.
A flor,
bem de amor
é o lírio;
tem mel no aroma – dor
na cor
o lírio.
Se o cheiro
é fagueiro
na rosa,
se é de beleza – mor
primor
a rosa.
No lírio
o martírio
que é meu
pintado vejo: - cor
e ardor
é o meu.
A rosa
é formosa,
bem sei...
E será de outros flor
d´amor...
não sei...
muito linda poesia adorei
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